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Empresas buscam cogeração para diminuir conta e garantir fornecimento

28.08.2015


Abalada pela disparada nos preços da energia, a indústria busca alternativas para driblar o aumento de custos com o insumo. Entre as saídas, destacam-se projetos que visam o consumo mais eficiente e a cogeração. A demanda por esse tipo de serviço cresce. Na Ecogen, que pertence ao grupo Mitsui, as solicitações para estudos de projetos de geração sobem 50% neste ano, diz Pedro Silva, gerente de desenvolvimento de novos negócios. "As empresas buscam redução de custo e uma matriz mais eficiente. Elas não querem estar presas a somente uma fonte de energia", diz. Um dos projetos que está saindo do papel é a nova fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP). A unidade terá um sistema de cogeração, em que motores gerarão energia elétrica e térmica sob a forma de refrigeração. O projeto, feito pela Ecogen em parceria com a GE, que fornecerá as máquinas, vai propiciar uma eficiência energética próxima de 85%. Isso significa que 85% do combustível -neste caso, o gás natural-, será convertido em energia (elétrica ou térmica). Na geração térmica tradicional, na melhor das hipóteses, o índice chega a 60%, segundo José Bruzadin, gerente de vendas da divisão de geração distribuída da GE. Essa diferença ocorre porque, no modelo tradicional, o gás é convertido apenas em eletricidade. "O que seria perdido é usado para fazer aquecimento ou refrigeração." Bruzadin afirma que, na GE, a demanda por motores e turbinas de cogeração também cresce 50% neste ano. A Siemens, fornecedora de turbinas, também vê maior interesse na geração distribuída, principalmente de indústrias menores, de 2 a 3 MW (megawatt) de potência, e fabricantes de papel e celulose, segundo Ricardo Lamenza, diretor geral da divisão Power da Siemens Brasil. CUSTO A principal barreira à instalação de projetos de cogeração é o custo. Segundo a GE, o investimento total mínimo é de US$ 800 por kW (quilowatt) instalado. "A grande oportunidade de ganhos de eficiência está associada a investimentos, e hoje há dificuldades para isso", diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace (associação dos grandes consumidores industriais de energia). É por essa razão que apenas 11% dos pedidos recebidos pela Ecogen saem do papel. "A crise econômica gera indecisão", afirma Silva. Mas, para André Marino, vice-presidente de indústria da Schneider Electric, é possível reduzir a conta sem gastar muito. Entre as possíveis ações, ele cita melhorias na gestão dos processos industriais e planejamento para a compra de energia. No primeiro semestre, a Schneider recebeu o dobro de pedidos de projetos de soluções em energia ante igual período de 2014.

Autor: Folha de S. Paulo

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